Entrevista com a arquiteta Maria Cecília Barbieri Gorski
Autor: Adriana Corrêa - Data: 08/03/2005


Às vésperas de completar 30 anos de carreira, a arquiteta e paisagista Maria Cecília Barbieri Gorski, associa consciência ambiental e tecnologia para criar soluções em paisagismo. Sócia do escritório Barbieri & Gorski Arquitetos Associados, junto do seu marido, Michael Gorski, trabalha áreas de lazer adaptadas às necessidades do cliente. Em entrevista para a Revista Digital AuE Soluções, ela fala do seu trabalho e chama a atenção para o tratamento dado a questão ambiental por alguns profissionais.




AuE: Como começou na profissão de paisagista?
Cecília Gorski: Fiz arquitetura no Mackenzie e me formei em 1976. Na época da faculdade, estava no auge o planejamento urbano, era uma área muito bem vista, e então fui estagiar no escritório Cândido Malta Campos. Quando me formei, um profissional saiu do escritório da professora de paisagismo Rosa Kliass e ela me chamou para trabalhar com ela. Fui a título de experiência, para ver no que ia dar. Nunca mais saí dessa área. Até acabei fazendo alguns trabalhos de arquitetura pelo meio do caminho, como a reforma do MAC - Museu de Arte Contemporânea - na USP, no ano de 2000, mas a maior parte do tempo estou mesmo é trabalhando com paisagismo.

AuE: Os seus trabalhos seguem algum estilo? Em que se baseia para definir o estilo de um determinado projeto?
Cecília Gorski: Não me baseio em estilo nenhum, apenas tento estabelecer uma harmonia entre a arquitetura e o paisagismo. Acabei me especializando em áreas de lazer, que sempre me agradou muito. Em 1980, fiz um trabalho no Guarujá em que o playground foi o foco da discussão. Buscando valorizar mais o projeto e fazer algo menos convencional, o momento marcou o nosso diferencial para trabalhar com áreas de lazer. Por conta disso, em meados de 1988, nosso escritório foi convidado para trabalhar no projeto do Parque da Mônica, em São Paulo. Isso nos abriu uma grande porta de conhecimento, pois começamos a viajar pra conhecer outros parques, em outros países. Os parques do Japão, por exemplo, eram muito mais ousados que os dos Estados Unidos, onde se tem mais preocupação com a segurança.

AuE: Na sua opinião, o que é indispensável em um bom projeto?
Cecília Gorski: É fundamental atender as demandas funcionais do cliente, compatibilizando o projeto com a arquitetura, paisagem e região onde se insere, além de conferir à obra qualidades estéticas que estabeleçam uma identidade, um caráter individual.

AuE: Como a tecnologia auxilia o seu trabalho? Costuma usar os softwares AutoLANDSCAPE e PhotoLANDSCAPE? Por quê?
Cecília Gorski: Sim. A tecnologia sem dúvida agiliza o trabalho. Além de nos permitir uma série de facilidades, nos dá acesso a diversas ferramentas, como a simulação, agilizando a comunicação à distância com clientes, parceiros e fornecedores.

AuE: Além do lazer, quais os outros tipos de projeto que você desenvolve? Qual o seu último trabalho?
Cecília Gorski: No momento estamos desenvolvendo térreos de edifícios, condomínios horizontais, áreas de recreação para escolas e um parque urbano. Nesses condomínios, também a área de lazer é muito importante, não só a questão do playground, mas as áreas esportivas, o cooper, os riozinhos, lagos e etc. Afinal, este é o ponto de venda principal: saia do ambiente urbano e venha descansar junto à natureza. Em geral, os proprietários procuram áreas que já têm matas formadas, e isso nos leva a trabalhar com espécies locais. Mas já vi pessoas, não muito ligadas ao assunto, trabalhando com pinheirinhos. Elas queriam comprar plantas exóticas, quando na verdade a gente estava querendo valorizar as espécies locais. No cerrado, por exemplo, é muito difícil fazer transplantes, porque a vegetação tem um enraizamento muito profundo, devido ao lençol freático. Então, fica difícil remanejar a vegetação existente. Por isso, o ideal mesmo é poupar o que existe no terreno. É o que temos feito.

AuE: A questão do desconhecimento por parte das pessoas acontece em função da falta de uma política de educação ambiental?
Cecília Gorski: Totalmente. Esse é um assunto muito sério. Se o cidadão não é conscientizado, ele acha que o cerrado é mato. Não sabe o potencial que aquela vegetação tem e não conhece a diversidade de flores, frutos e árvores. Por isso, quanto mais nós divulgarmos e maior número de pessoas tiverem essa consciência, tanto mais serão valorizados os ambientes locais.

AuE: Dentre os seus projetos, qual deles merece destaque?
Cecília Gorski: Um dos últimos, de características especiais pela dimensão e pela especificidade é o da orla da cidade de Palmas, Tocantins, que foi entregue há pouco tempo e ainda não foi implantado. O projeto do pátio da Assembléia Legislativa executado e implantado em fevereiro de 2003 é outro trabalho interessante e ilustra as obras desenvolvidas pela Barbieri e Gorski.

Confira o projeto do pátio da Assembléia Legislativa

Barbieri & Gorski Associados
*Rua Fernão Dias 186
São Paulo - SP
Telefone: (11) 3034-1184
bgorski@terra.com.br


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1 - Autor: alaide de oliveira castelani - Data: 21/01/2010

èmuito interessante a visão que ela tem um trabalho maravilhoso principalmente se todos soubesse a importância dele parabèns




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