Os cultivares e o banco de dados de plantas da Aue Soluções

Autor: Marinês Eiterer - Data: 18/12/2012

Nós cultivamos aproximadamente 28 mil espécies de plantas ornamentais, o que corresponde a 14% de todas as plantas vasculares. O comércio de plantas ornamentais movimenta um volume global anual de mais de US$100 bilhões. Holanda (Europa) e Colômbia (América do Sul) são os maiores exportares. O Brasil está no 32º lugar. O nosso país movimenta pouco mais de US$1,8 bilhões e emprega 190 mil pessoas. Pouco, quando comparado com a Holanda, o país das flores, que movimenta US$ 10 bilhões e emprega 500 mil pessoas.

Para "esquentar" o mercado mundial, novas plantas são produzidas todos os anos. Principalmente cultivares e híbridos. Cinco até quinze anos é o tempo que leva para lançar no mercado uma nova variedade. Para a multiplicação ou propagação e comercialização dessas plantas é necessário o pagamento de royalty a quem detém o direito à propriedade intelectual dessa nova variedade. Diversas organizações internacionais e nacionais estão envolvidas na regulação, registro, patenteamento e o licenciamento dessas plantas como o Community Plant Variety Office (CPVO), Convention on Biological Diversity (CBD), Royalty Administration International (RAI) , The United States Patent and Trademark Office (USPTO) e o International Union for the Protection of new Varieties of Plants (UPOV). No Brasil, há um sistema nacional de registro de cultivares de sementes e mudas, o chamado Registro Nacional de Cultivares, realizado pelo Serviço Nacional de Proteção de Cultivares, repartição vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O Brasil já teve casos de plantas exportadas serem rejeitadas ou até incineradas em outros países importadores, dado a alegação de falta de comprovante de recolhimento de royalties.

Nós temos uma flora rica, com muitas espécies com grande potencial ornamental, algumas delas são comercializadas pelo mundo há muito tempo. Mesmo assim, os brasileiros consomem poucas flores e plantas ornamentais. Falta tradição, educação e tecnologia. Os principais mercados consumidores são a Alemanha (22%) e EUA (15%). No Brasil, o consumo médio é de US$ 11 per capita por ano, enquanto que o consumo médio dos europeus é de US$ 70 a US$ 100 per capita por ano. Precisamos desenvolver e adotar tecnologias de ponta na cadeia produtiva para o setor crescer no Brasil.


Impatiens balsamina

A AuE Soluções está atenta a todos esses problemas. Por isso, a AuE Soluções vem desenvolvendo um banco de dados de plantas com 7478 fotos de 2004 plantas diferentes até o momento, pois novas plantas continuam sendo adicionadas. Esse banco de dados de plantas ornamentais tem um importante diferencial, suas plantas são classificadas até a categoria de cultivar (quando necessário). Por que classificar até cultivar? Por que não classificar apenas até espécie? Como vimos o mercado é aquecido com novas plantas, isto é, principalmente novos cultivares e híbridos. Além disso, essas novas plantas são protegidas e precisam ser identificadas corretamente. E por fim, o mais importante, se você quer cultivar suas plantas para que cresçam saudáveis e alcancem toda sua beleza você deve identificá-las até cultivar (se for um cultivar). Por quê? Os Cultivares são desenvolvidos para cultivos específicos. Vamos ver um exemplo. Impatiens balsamina são plantas de sombra, mas foram desenvolvidas variedades que devem ser cultivadas no sol, conhecidas pelo nome comercial de Sunpatiens® www.sunpatiens.com/, portanto você precisa saber diferenciar as duas.



Fontes:

ANDRADE, Juliana. Mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais emprega mais de 190 mil pessoas. Agencia Brasil.Disponível em: . Acesso em: 17/12/2012.

African Bussiness. 2012. The Global Flower Trade. Disponível em: < http://africanbusinessmagazine.com/special-reports/sector-reports/floriculture/the-global-flower-trade >. Acesso em: 17/12/2012.

BROEK, Luciano Van Den; VELDT, Tânia Verônica & CARVALHO, Thiago Bernadino de. Impactos dos royalties na comercialização Nacional de flores: um estudo multi-caso .Disponível em: < http://www.sober.org.br/palestra/5/1134.pdf>. Acesso em: 17/12/20012.

BRUCH, Kelly Lissandra. 2011. A internalização dos acordos internacionais no âmbito da proteção de variedades vegetais: uma análise comparativa da sua implementação nas comunidades européias, nos Estados Unidos da América e no Brasil, a partir dos acordos firmados no escopo da UPOV e do TRIPS/OMC. Amicus Curiae 7:1-15.

CURTI, Gilberto Luiz. 2010-2011. Flores e plantas Ornamentais. Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina 1: 89-93. Disponível em: Acesso em: 17/12/2012.

DONS, Hans J.M. and BINO, Raoul J. 2008. Innovation and Knowledge transfer in the Dutch Horticultural System. In W. Hulsink and H. Dons (eds.), Pathways to High-tech Valleys and Research Triangles: Innovative Entrepreneurship, Knowledge Transfer and Cluster Formation in Europe and the United States, Springer, p. 119-137.

FRANÇA, Carlos Alberto Machado de & MAIA, Moacyr Boris Rodrigues. Panorama do agronegócio de flores e plantas no Brasil. In XLVI Congresso da Sociedade Brasileira de Economia e administração e sociologia Rural. Disponível em: Acesso em: 17/12/20012.

JUNQUEIRA, Antônio Hélio & PEETZ, Márcia da Silva. 2008. Mercado interno para os produtos da floricultura brasileira: características, tendências e importância socioeconômica recente. Revista Brasileira de Horticultura Ornamental 1: 37 - 52.

KHOSHBAKHT, Korous and HAMMER, Karl.2008. How many plant species are cultivated? Genet Resour Crop Evol 55: 925-928.

MEDEIROS, Fábio de Oliveira & FAVERO, Luiz Andrea. 2010. Aspectos da Competitividade Brasileira no Comércio Internacional da Floricultura e Flores de Corte. In 48º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural, Campo Grande.


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1 - Autor: Ida Terron - Data: 08/01/2013 01:44:03

É bom esclarecer que o sol que eles tem no hemisfério norte é diferente do nosso. Mesmo em se tratando de bioma como o da Mata Atlântica ( já tão alterado). Certo? Mesmo tendo sido muito utilizado, há muitos anos nos EUA, nos estados da Florida e Califórnia pela Disney, por exemplo, a rotatividade é incrível. E nos demais estados, no inverno acaba tudo e recomeça tudo na primavera. Com esplendor. Como exemplo Denver, no Colorado, que é considerada uma das ou a cidade mais florida de lá. São quatro estações bem definidas, contrário daqui. Então, quem for produzir ou usar precisa lembrar desse aspecto importante. No sol de SP ou MG não dá para confiar como no hemisfério norte. E do PR para baixo temos geadas fortes - muito mais que SP e sul de Minas. Pelo que eu sei eles foram produzidos para o sol do hemisfério norte e locais muito similares. Ou não? Estou me referindo ao sunpatiens.Ok? Mas, posso estar enganada. Dá para usar? Sim. Mas precisa estar ciente disso. Brasília por exemplo pode esquecer. No Cerrado até onde eu saiba, não deu certo. E... não é fácil mesmo, conhecer e produzir no Brasil espécies da nossa flora. Infelizmente ou... felizmente... se penso bem, fico dividida. Ótimo artigo. Desejo sucesso para o banco de dados de vocês e que façam uma boa "biblioteca" para uso dos programas.




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